Ginasta é ouro com tornozelo quebrado em 96

Kerri Strug é carregada pelo técnico com a medalha de ouro; ginasta saltou com tornozelo quebrado em Atlanta 1996 / Foto: Divulgação / COIKerri Strug é carregada pelo técnico com a medalha de ouro; ginasta saltou com tornozelo quebrado em Atlanta 1996 / Foto: Divulgação / COI

Rio de Janeiro - Na sétima posição do Top-10 de momentos incríveis dos Jogos Olímpicos, o Esporte Alternativo traz nessa semana a história de superação e dor da ginasta americana Kerri Strug, que chocou o mundo em 1996. 

As Olimpíadas eram na casa deles, americanos, na cidade de Atlanta. A prova, da ginástica artística, consistia em um dos esportes mais adorados pelos telespectadores, que acompanhavam em tempo real cada movimento das atletas na disputa geral, por equipes, da modalidade.

Kerri, uma das "Sete Magníficas", como ficaria conhecida o grupo das ginastas americanas, já vinha de um histórico de vitórias e derrotas dolorosas. Mas nada que se comparasse ao que estava para ocorrer naquele dia. 

Histórico de batalhas - Não se podia dizer que Kerri era uma novata em Jogos Olímpicos, mesmo com apenas 18 anos. Quatro anos antes, a americana havia levado para casa uma medalha de bronze nos Jogos de Barcelona 1992, quando com apenas 14 anos ajudou a equipe dos Estados Unidos a subir ao pódio, sendo a mais jovem ginasta do time. 

Logo depois, uma baixa considerável que quase fez Kerri desistir do esporte: Béla Karolyi, seu técnico, resolveu se aposentar após os Jogos. Uma mudança de vida, de treinador e de perspectiva colocou a futura queridinha da ginástica mundial de volta aos trilhos. O resultado foi uma prata nas barras assimétricas - sua especialidade - e um bronze no concurso geral e no solo, no Campeonato Nacional em 1993. 

A competição, porém, não trouxe só alegrias. Kerri caiu das barras assimétricas enquanto se apresentava, foi tirada do local imobilizada numa maca e ficou um tempo fora das disputas. 

Perdeu o ano, mas se recuperou a tempo de brilhar novamente nos Campeonatos Nacionais seguintes. O grande teste, porém, ainda estava por vir, nos Jogos Olímpicos de Atlanta, no país natal, um verdadeiro teste de fogo para todos os atletas americanos. 

Nas provas individuais Kerri se saiu bem, mas não conseguiu medalha. No individual geral, classificada em nono lugar, conseguiu a segunda melhor nota no solo. Mas ao final da classificatória apenas beliscou uma medalha, na quarta posição.

Kerri hoje é mãe de um menino de três anos / Foto: Arquivo Pessoal (2012)Kerri hoje é mãe de um menino de três anos / Foto: Arquivo Pessoal (2012)

O grande dia - Era a final coletiva que reservava as maiores emoções. Na ausência da antes favoritíssima equipe soviética, desmembrada em 1991, russas e romenas corriam pelo ouro. Os Estados Unidos, que até então nunca tinham subido no lugar mais alto do pódio, faziam boa performance após três rotações: estavam inacreditavelmente em primeiro. 

As emoções foram crescendo conforme se chegava ao fim dos aparelhos, tendo o melhor sido curiosamente reservado para o final: o salto. Considerado um aparelho muito técnico e meticuloso, qualquer erro no salto sobre o cavalo, ou mesmo na aterrissagem, pode ser fatal para a atleta. 

À frente 0,897 pontos da segunda equipe colocada, as americanas tinham tudo para levar facilmente o ouro. Kerri, a última a saltar, mostraria entretanto que além de técnica e treinos, é preciso muita perseverança e vontade de vencer para de fato se sagrar campeã.

Seu primeiro salto veio e com ele a queda. O silêncio no ginásio mostrava que algo havia dado errado, Kerri saiu triste. Mas o pior foi depois, ao caminhar de volta ao seu posto para o segundo salto, Kerri mancava e mostrava uma preocupação bastante consciente: seu tornozelo estava lesionado. Mais tarde, viríamos a saber, quebrado. 

A expectativa gerada em torno do segundo salto de Kerri era enorme e obviamente justificável: se ela não fizesse um salto magnífico, fosse algo razoável, dificilmente o ouro ficaria para os EUA. 

Salto histórico - A ginasta, com o tornozelo quebrado e o ginásio inteiro gritando por ela, correu, saltou e o improvável: pisou por uma fração pequena de segundos com os dois pés, fincados no colchão. Gritos, aplausos e uma verdadeira ovação para Kerri, só não maiores que depois, quando a nota, 9,712, foi anunciada. 

A dor que a atleta sentia parecia muito forte, Kerri mal andava sozinha, em uma perna só. Seu técnico a carregou no colo pelo ginásio, até o pódio. Kerri subiu no pódio para buscar seu tão suado ouro e se tornou, no dia seguinte, manchete mundo afora, como a ginasta que saltou por o tornozelo quebrado - e levou o ouro!

Depois disso Kerri nunca mais competiria em Olimpíadas (estava classificada para as finais individuais, mas não pode competir devido à lesão). Se aposentou oficialmente, no auge de sua carreira e como heroína nacional. Os holofotes não acabaram tão cedo e até hoje há quem queira saber como está Kerri Strug. 

Casada e com um filho de três anos, a ex-ginasta faz uma análise de seu apogeu. "Eu nunca pensei que teria esse momento olímpico. Você sempre sonha em ir a uma Olimpíada e ganhar o ouro. Eu aprendi ao longo dos anos que têm um monte de medalhas de ouro, mas algumas histórias se destacam e fazem a diferença", conclui Kerri. 

 

Confira um documentário que mostra os dois saltos para o ouro de Kerri em Atlanta 96: 

 
 

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