Africano encanta o mundo ao nadar sozinho Sydney 2000

Eric Moussambani segundos antes de nadar em Sydney 2000 / Foto: Ômega WatchesEric Moussambani segundos antes de nadar em Sydney 2000 / Foto: Ômega Watches

Rio de Janeiro - Os Jogos Olímpicos são o principal palco para qualquer atleta profissional. Não só pela plataforma de transmissão, que chega a 200 países diferentes, mas também pela concorrência absurda, pelo excelente nível técnico dos competidores e ainda pelos equipamentos modernos, que permitem alcançar índices recordes. 

Mas tudo isso não fez diferença quando o estudante Eric Moussambani, então com 22 anos, caiu na piscina olímpica dos Jogos de Sydney, em 2000. O atleta da Guiné Equatorial entrou para a história pois precisou nadar sua bateria elimintória dos 100m livre sozinho. É por isso que ocupa hoje a segunda posição dos 10 momentos olímpicos incríveis, selecionados pelo Esporte Alternativo

A história do africano é das mais interessantes. A possibilidade de participação nas Olimpíadas, provavelmente uma das últimas coisas que passava em sua cabeça, surgiu antes dele sequer aprender a nadar. 

No final de 1999, a Guiné Equatorial foi convidada a participar do torneio olímpico de natação, na prova dos 100m. Eric, entusiasmado, decidiu fundar uma federação local, chamou alguns amigos, e se adaptou ao protocolo estabelecido pela FINA (Federação Internacional de Natação) e pelo COI (Comitê Olímpico Internacional). 

Aprendeu a nadar no início do ano, em janeiro de 2000, numa piscina pequena, de apenas 20m. Não havia nadado nunca 100m sem parar e treinava para a prova dos 50m. O convite, porém, veio irreversível: a vaga da Guiné Equatorial teria que ser para um atleta que nadasse duas piscinas olímpicas. 

Eric resolveu então encarar o desafio e, oito meses depois de começar suas aulas de natação, desembarcou na Austrália, em sua primeira viagem internacional. Não bastasse a chance de ser um atleta olímpico, o nadador recebeu ainda um novo desafio: ser o porta-bandeira de seu país na cerimônia de abertura, em um estádio olímpico lotado. A delegação? Oito membros, contando ele e os cinco árbitros. 

O dia histórico para Eric - Passada a abertura e chegado o dia das eliminatórias dos 100m, o destino tratou de colocar em Eric todos os holofotes. Os outros dois atletas que disputariam com ele sua bateria queimaram a largada e foram desclassificados. O resultado: ele precisaria nadar sozinho as duas piscinas, coisa que nunca havia feito antes. 

Logo após o feito, o atleta já foi cercado pela imprensaLogo após o feito, o atleta já foi cercado pela imprensa

O feito foi acompanhado pela TV mundo afora e por 17 mil espectadores que lotavam o Parque Aquático de Sydney. Exaurido após completar a primeira piscina, Eric definhou e no final já nadava em estilo cachorrinho, praticamente sem forças nas pernas e com extremo esforço para completar a prova. 

O público, compadecido do esforço do africano, gritava e entoava assobios para entusiasmá-lo. Foi assim que o desconhecido atleta conseguiu finalizar a segunda piscina. Bateu as mãos na borda e colocou seu nome na história olímpica.

O tempo, de 1m52s72, foi emblemático. Além de ter sido o mais lento de longe, era mais que o dobro do que o holandês Pieter van den Hoogenband obteria horas depois, sendo este o novo recordista mundial (47s84). A marca de Eric também não alcançaria o recorde dos 200m. 

Mas isso não teve importância para o atleta. "Tinha pensado em competir nos 50m, mas o convite era para os 100m. Quase não deu. Mas os primeiros 50 metros eu fiz bem. E os outros dois, que nem a hora do mergulho acertaram?", alfinetou Eric, em entrevista à Folha de S. Paulo após sua prova. 

Até hoje o ex-atleta recebe convite de entrevistas através da Federação Olímpica da Guiné Equatorial. O Esporte Alternativo tentou entrar em contato com eles, mas não obteve resposta. 

Eric, após o feito em Sydney 2000, continuou treinando pois queria participar dos Jogos seguintes, em Atenas 2004. Seu tempo já havia melhorado bastante (estava na casa dos 57s), mas um problema com o visto impediu o atleta de retornar aos Jogos Olímpicos. 

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