Mayra e Érika: a longa trilha de quedas até os ippons

Mayra Aguiar de azul / Foto: Getty ImagesMayra Aguiar de azul / Foto: Getty Images

São Paulo - Ela tinha apenas seis anos. Disputou um torneio com caráter lúdico, mais de brincadeira mesmo. Chegou à final, mas perdeu. E odiou a sensação: chorou, chorou, chorou muito, a ponto de os pais se perguntarem se valia a pena manter a menina no judô. Assim que as lágrimas secaram, contudo, Mayra Aguiar virou para a família e perguntou: "Quando é a próxima? Vou ganhar o ouro".
 
Esse traço de determinação vem desde então como uma espécie de carteira de identidade do estilo da atleta gaúcha. O dia a dia de treinos e competições é a força-motriz de Mayra. "O prazer de treinar e de competir que me mantém no esporte", afirma.
 
Ela percebeu que se tornaria atleta profissional quando estava com 14 para 15 anos. O batismo foi numa competição de altíssimo nível: os Jogos Pan-Americanos Rio 2007."Vi a torcida gritando meu nome, senti aquela adrenalina. Competi com atletas super fortes e tudo isso dentro do meu país. Lembro que pensei: 'Nossa, quero fazer isso para o resto da vida'", recorda Mayra. No Rio, ela ficou com a medalha de prata na categoria -70kg. Perdeu a final para a americana Ronda Rousey.
 
O tempo passou, a menina ganhou força, consistência técnica e ainda mais relevância internacional. Detentora de nada menos que cinco pódios em Mundiais (incluindo dois ouros, em Cheliabinsk 2014 e Budapeste 2017) e duas medalhas de bronze em Jogos Olímpicos (Londres 2012 e Rio 2016), Mayra conta que as vitórias vêm das lições aprendidas nas derrotas."Cada um tem seu potencial. Tem que treinar muito. Não é fácil, mas não é impossível. Derrotas vão acontecer sempre. Temos que pegar elas e transformar em coisas boas, em aprendizado. É isso o que nos leva adiante".
 
Potencial e fé - Érika Miranda ainda nem pensava em se tornar atleta profissional aos 12 anos. Ainda faixa branca, ficou impressionada em sua primeira competição no Distrito Federal. "Lembro que chamava Copa Brasília. Fui com meus irmãos e fiquei impressionada com o tanto de gente que praticava judô", conta Érika.
 
Acostumada à seriedade e a uma certa sisudez do circuito mundial, Érika lembra até com uma ponta de saudade dos tempos em que disputava competições locais, mais informais. "Todo mundo ficava junto esperando a hora de lutar. E aí você fica ali, conversando com seu adversário, troca ideia", recorda. "Eu me lembro de uma menina falando para mim que aquela era uma competição muito forte, difícil. Ficou me botando medo e, no fim, nem subiu ao pódio. Eu ganhei umas duas lutas, perdi a terceira e fiquei com o bronze. Aí ela veio e me disse que eu era faixa branca, mas muito forte", sorri a experiente brasiliense, de 30 anos.
 
"Foi minha primeira competição e foi uma festa. Todo mundo tirou foto com o trofeuzinho e a medalha", lembra a judoca, que hoje carrega um currículo de quatro medalhas em Mundiais de Judô (duas pratas e dois bronzes) e um ouro nos Jogos Pan-Americano Toronto 2015.
 
Do exemplo da primeira competição com a competidora "corneteira", Érika tirou uma lição. "Sempre vão ter aqueles que vão te falar que não é possível, mas você tem de acreditar no seu potencial, ter fé e trabalhar. A Érika que sonhava aos 12 anos é a mesma sonhadora de hoje. Quero transformar, fazer coisas novas. Isso não mudou nada", finaliza.
 

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