Arena Carioca 3 está quase pronta para receber os esgrimistas nos Jogos Rio

Campeonato Mundial por Equipe do Sabre Masculino, competição que fechou o Evento-Teste da Esgrima na Arena Carioca 3 / Foto: Gabriel Heusi/brasil2016.gov.brCampeonato Mundial por Equipe do Sabre Masculino, competição que fechou o Evento-Teste da Esgrima na Arena Carioca 3 / Foto: Gabriel Heusi/brasil2016.gov.br

Rio de Janeiro - A exatos 100 dias da abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, esgrimistas de Estados Unidos, Irã, Hungria, Alemanha, Rússia, Coreia do Sul, Romênia e Itália disputaram, na bela área de competição montada em formato de “X” na Arena Carioca 3, no Parque Olímpico da Barra, a fase final do Campeonato Mundial por Equipe de Sabre Masculino, que terminou com o time da Rússia celebrando o título no Rio de Janeiro após vitória sobre a esquadra da Hungria por 45 x 38.
 
Na disputa do terceiro lugar, a Romênia garantiu o bronze ao vencer o Irã por 45 x 35. Os iranianos, contudo, fizeram história ao terminar um Mundial por Equipe entre os quatro primeiros pela primeira vez em uma competição em qualquer uma das três armas da esgrima (espada, sabre e florete).
 
A competição de hoje encerrou o Evento-Teste da Esgrima para os Jogos Olímpicos Rio 2016 e concluiu o 39º Evento-Teste realizado na capital fluminense desde julho do ano passado, quando o vôlei abriu o calendário de competições preparatórias para as Olimpíadas e Paralimpíadas na cidade.
 
 “Para nós foi um dia importante, pois é uma repetição, em geral, do que será nas Olimpíadas. Para nós, russos, é um pouco difícil competir aqui, pois o clima e o fuso horário são muito diferentes. Então foi um bom teste para os Jogos Olímpicos”, declarou o russo Alexey Yakimenko, que chegou ao oitavo título mundial da carreira nesta quarta-feira. Sobre as instalações da Arena Carioca 3, ele disse que gostou da disposição das pistas, mas foi um dos atletas que reclamou da falta de ar condicionado na área de aquecimento. “Nós nem aquecemos hoje pois estava muito quente”, declarou o esgrimista, medalha de bronze por equipe no sabre nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004.
 
Medalha de ouro no sabre individual nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, o húngaro Aron Szilagyi disse ter se surpreendido positivamente com o Rio de Janeiro. “A instalação é bonita e foi maravilhoso ter competido aqui. Foi a primeria vez que vi as pistas organizadas assim, mas gostei. Não tive problemas com as luzes, com os torcedores e foi tudo muito bom”, resumiu. “Eu tinha ouvido muitas coisas sobre o Rio, coisas boas e coisas ruins. Mas fiquei surpreso com o quanto as pessoas são amáveis aqui, com o quão bonita a cidade é, com as praias, as montanhas, as cidades. Fiquei bastante impressionado com essa cidade e não vejo a hora de voltar para os Jogos Olímpicos”.
 
O Brasil participou do Mundial por Equipe de Sabre com um time formado por Renzo Agresta – atleta já classificado para os Jogos Olímpicos no sabre individual – Tywilliam Guzenski e Willian Zeytounlian. Entretanto, o trio, que entrou em ação na segunda-feira (25.04), não conseguiu avançar à fase final ao ser superado pela Geórgia na estreia. Além dos países já citados, times do Japão, Canadá, França, Espanha, Grã-Bretanha, Chile, Bielorrússia, China, Hong Kong e Argentina também competiram, mas ficaram pelo caminho e não competiram nesta quarta-feira.
 
Para Gustavo Nascimento, diretor de gestão de instalações do Comitê Rio 2016, o Evento-Teste da Esgrima se diferenciou dos outros pelo grau de complexidade da modalidade, que exige um enorme aparato em termos de tecnologia para permitir a iluminação das pistas a cada ponto convertido pelos esgrimistas, cujas máscaras de proteção também são iluminadas. Além disso, a pista central, usada apenas para as disputas de medalha, também tem iluminação especial. Soma-se a isso tudo o sistema de pontuação, que exige replays instantâneos para consulta por parte dos juízes em caso de contestação pelos atletas. “Foi bom para a gente testar essa configuração nova de pistas”, declarou Gustavo, referindo-se ao formato em “X”, usado pela primeira vez em competições internacionais.
 
Segundo a britânica Hilary Philbin, chefe de protocolo da Federação Internacional de Esgrima e que atuou como gerente de competição nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, essa nova disposição permite que o público possa acompanhar os duelos de qualquer ponto da Arena Carioca 3. “Nos Jogos de Londres nós tínhamos arquibancadas apenas em dois lados das pistas (na frente das áreas de competição, que ficavam paralelas aos assentos). Aqui, nós temos cadeiras ao redor de todo o ginásio. Por isso, se usássemos a configuração tradicional (com quatro pistas formando um retângulo e com a quinta pista posicionada no centro), quem estivesse sentado nas laterais não teria uma boa visão dos combates do lado oposto. Com essa nova posição todos conseguem ver todos os combates”, explicou a dirigente.
 
Gustavo Nascimento ressaltou que a montagem de todo o aparato tecnológico representou um desafio diferente para a organização, já que em outras modalidades isso não é necessário. “A gente não tinha feito isso ainda, é uma estrutura complexa, com bastante tecnologia envolvida. Temos aquelas luzes que são sensíveis ao toque, aquela parte de capacete (que também tem iluminação), enfim, tem toda uma tecnologia e todo um cabeamento que precisava ser testado. Tudo isso já fica montado para os Jogos e então a gente teve aí uma possibilidade de um teste real, com atletas, com a Federação Internacional de Esgrima presente, com o pessoal de resultados... Com isso pudemos garantir que está tudo devidamente testado”, declarou.
 
Outro ponto destacado pelo representante do Comitê Rio 2016 foi que, ao contrário das outras Arenas do Parque Olímpico, esse foi o primeiro teste da Arena Carioca 3, que, em sua opinião, foi aprovada por todos os envolvidos. “Foi bom testar a Arena 3. Esse é o oitavo evento nas Arenas Cariocas, mas foi o primeiro na Arena Carioca 3. Então ficamos muito felizes por estarmos aqui podendo fazer esse evento, que é uma parceria com a Confederação Brasileira, que sediou um evento internacional junto com a Federação Internacional de Esgrima”. Nesta quarta-feira, a Arena Carioca 3 ainda ganhou uma iluminação  especial para celebrar a contagem de 100 dias para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016.
 
Elogios e pequenos ajustes - Entre os atletas, o clima era de empolgação e de elogios ao ginásio e à nova configuração das pistas. Há entre eles uma enorme expectativa pela chegada dos Jogos Olímpicos. Entretanto, alguns esgrimistas apontaram melhorias que precisam ser providenciadas, como a falta de refrigeração na área de aquecimento, que ficava fora da Arena Carioca 3, ou a resolução das imagens nos quatro telões que ficam nas laterais das pistas. Além disso, alguns ajustes nas pistas ainda deverão ser feitos até os Jogos Olímpicos.
 
Sobre isso, Gustavo Nascimento afirmou que esse não será um problema durante os Jogos Olímpicos e explicou o que aconteceu durante o Evento-Teste. “Nos Jogos Olímpicos a área de aquecimento não será a Arena Carioca 2. Será uma estrutura temporária que vai ficar aqui atrás da Arena Carioca 3, no estacionamento, com toda a estrutura de ar condicionado e com o aparato necessário para os atletas. A gente ainda está no final dos testes da parte elétrica aqui nas Arenas Cariocas e não foi possível prover o ar condicionado na Arena 2. Mas isso não afeta em nada a entrega dos Jogos”.
 
Diretor de esportes do Comitê Rio 2016, Rodrigo Garcia ressaltou que durante os Jogos Olímpicos os telões deverão operar com imagens de alta definição. “O sinal que vai para o telão durante os Jogos é o mesmo sinal que a gente vê em casa, que é de ultra-definição. Então você busca o mesmo sinal que a geradora das imagens nos Jogos realiza e a gente tem a expectativa de receber um sinal bem mais nítido”, explicou Rodrigo.
 
Segundo Rodrigo, o Evento-Teste da Esgrima foi um sucesso e as expectativas para os Jogos Olímpicos são as melhores possíveis. “As observações são mínimas. É um campeonato mundial de duas armas que não farão parte dos Jogos (por um motivo de rodízio imposto pelo Comitê Olímpico Internacional para a esgrima a cada Jogos Olímpicos, as disputas por equipe do florete feminino e do sabre masculino não serão realizadas na edição de 2016 do evento), mas os melhores atletas do mundo estão aqui. Ontem (26.4), tivemos uma homenagem a uma atleta italiana, multicampeã tanto mundial como olímpica, que encerrou sua carreira aqui na Arena Carioca 3 e isso acabou sendo uma homenagem para nós também e motivo de grande satisfação. Acho que todo o retorno até agora foi bastante positivo”, continuou, referindo-se à Valentina Vezzali, seis vezes campeã olímpica e dona de 16 títulos mundiais, que se despediu na terça-feira do esporte com a conquista do vice-campeonato mundial de florete por equipe com o time da Itália.
 
Mesmo com todos os desafios envolvendo as necessidades high tech da modalidade, Gustavo Nascimento também avaliou que o Evento-Teste foi um sucesso. “Sem dúvida (a parte de tecnologia) foi o maior ponto de atenção da gente aqui nesse evento. É um equipamento muito sensível e um aparato tecnológico que não é muito comum. A gente trabalha com evento de rua, evento de equipe e isso não se compara com a complexidade desse evento de esgrima. Aqui tudo é bem mais complexo. Mas foi tudo super bem. Os atletas deram um reporte positivo, a Confederação Brasileira se mostrou ok com o evento deles e a Federação Internacional vai passar um reporte para a gente e aí teremos mais detalhes para podermos ajustar e garantir a excelência técnica dos Jogos”, detalhou.
 
Principal nome da esgrima masculina do Brasil e até aqui único esgrimista do país, entre os homens, já garantido nos Jogos Olímpicos, Renzo Agresta, especialista em sabre, também elogiou o evento-teste. “Acho que ficou muito bom. Eu participei das últimas três edições do Campeonato Mundial e acho que não tem nada a dever para nenhuma delas. Aliás, talvez seja a que eu mais gostei, porque tem uma inovação que foi o formato das pistas em X para facilitar a visualização de todos os torcedores”, apontou.
 
Renzo, que treina na Itália, ainda disputará mais três competições antes dos Jogos Olímpicos, em Madri, Moscou, e no Panamá, no Campeonato Pan-Americano. “Aqui está a elite do sabre mundial e espero encontrar esse mesmo pessoal em agosto em condições diferentes: eu na pista em frente deles. Treino bastante e estou confiante para chegar bem nos Jogos”.
 
Nas Olimpídas, o Brasil competirá na esgrima com um número recorde de atletas: 13. Do total, cinco vagas já estão definidas: a de Renzo, no sabre individual; a da italiana, naturalizada brasileira, Nathalie Moellhausen, na espada individual; e a da equipe masculina de florete, que terá três atletas.
 
De acordo com Gerly dos Santos, presidente da Confederação Brasileira de Esgrima (CBE), à exceção de Renzo e Nathalie, a definição dos outros representantes do Brasil nos Jogos Olímpicos Rio 2016 só será feita dentro de quinze dias, após o Torneio Cidade de Curitiba, que funcionará como a última seletiva interna para os esgrimistas brasileiros. “Aí, sim, vamos nominar de quem são essas vagas e apresentar para a imprensa a composição final da equipe de esgrima do Brasil para as Olimpíadas”, explicou o dirigente.
 
Investimentos - No total, 41 atletas do Brasil disputaram os quatro torneios internacionais do Evento-Teste da Esgrima: O Grand Prix de Espada Feminino e o Grand Prix de Espada Masculino, realizados no último sábado (23.4) e domingo (24.4), respectivamente; o Campeonato Mundial por Equipe de Florete Feminino, encerrado na terça-feira (26.4), e o Campeonato Mundial por Equipe de Sabre Masculino.
 
Desse total, 31 esgrimistas são apoiados pelo governo federal por meio da Bolsa Atleta, maior programa de patrocínio individual direto do mundo a atletas. No exercício de 2015, foram contemplados 142 esgrimistas de todo o país, fruto de um investimento que totaliza R$ 2 milhões por ano. Na categoria Bolsa Pódio, a mais alta da Bolsa Atleta, dois atletas são beneficiados: Nathalie Moellhausen, bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015, e Renzo Agresta, também bronze no Pan de Toronto.
 
Além dos apoios diretos aos atletas, o Ministério do Esporte celebrou, em 2011 e 2013, dois convênios com a Confederação Brasileira de Esgrima (CBE) para o desenvolvimento do esporte, que totalizaram R$ 2,4 milhões. Esses recursos se destinaram à modernização da infraestrutura dos equipamentos com a aquisição de kits com pistas de alumínio, aparelhos para sinalização de toques com monitor, carretéis de conexão entre os esgrimistas e sinalizador, cronômetros, balanças digitais e outros itens. O investimento também permitiu a participação dos atletas brasileiros nas principais competições internacionais que serviram de preparação para os Jogos Olímpicos Rio 2016.
 
Por último, a CBE recebeu ainda, por meio da Lei Agnelo/Piva, que repassa uma porcentagem da arrecadação das loterias federais para o desenvolvimento das modalidades esportivas, R$ 8,5 milhões entre 2010 e 2015. Para este ano, a previsão de recursos é de R$ 2,3 milhões.
 
Segundo Renzo Agresta todo esse investimento foi fundamental para que a esgrima evoluísse tecnicamente neste ciclo para os Jogos Olímpicos Rio 2016. “Foi um bom trabalho. Teve muito investimento por parte de todos os envolvidos, seja a Confederação, o Comitê Olímpico, o Ministério do Esporte, os nossos apoiadores, que são a Petrobras, o Exército e, no meu caso, o Pinheiros. Enfim, teve um apoio financeiro que nunca a gente teve e estamos tendo resultados que também a gente nunca teve. Então eu acho que está tudo relacionado. Agora é tentar manter nesses últimos três meses esse mesmo tipo de apoio para que a gente possa chegar bem aos Jogos”, encerrou o esgrimista.
 
 

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