Rugby celebra conquistas de 2012 e projeta avanços na próxima temporada

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Sami Arap, presidente da CBRu, fala sobre as conquistas de 2012 / Foto: Luiz Pires/FotojumpSami Arap, presidente da CBRu, fala sobre as conquistas de 2012 / Foto: Luiz Pires/Fotojump

São Paulo - O ano de 2012 foi bastante produtivo para o rugby brasileiro. Entre as conquistas estão a criação do Super Sevens, a Copa Cultura Inglesa de Verão, as transmissões ao vivo das semifinais e final do Super 10, a melhor estruturação da Copa do Brasil, o oitavo título sul-americano de rugby sevens feminino, a vitória da seleção masculina diante do Paraguai, a chegada de novos patrocinadores e, claro, a parceria histórica com o Crusaders, a equipe mais vitoriosa da Nova Zelândia, e a Federação de Rugby de Canterbury, província que disponibiliza a maior quantidade de jogadores para os temidos All-Blacks (seleção neozelandesa).
 
Com esse cenário positivo, o presidente da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), Sami Arap Sobrinho, explica, em entrevista, a importância desses acontecimentos para o crescimento do rugby nacional e quais as metas para fazer de 2013 um ano ainda mais bem sucedido.
 
Uma das principais conquistas de 2012 foi a parceria com a equipe do Crusaders e a Federação de Canterbury. Após sete meses, como você avalia o trabalho dos neozelandeses? Quais foram as principais mudanças e seus benefícios? 
 
Contar com o profissionalismo e a indiscutível experiência da Nova Zelândia é proporcionar às nossas equipes de alto rendimento o que há de melhor no mundo do rugby. Trata-se de uma oportunidade nova e única de aprimoramento técnico, psicológico e tático. Os resultados já podem ser vistos em campo, aonde evoluímos muito, com uma postura vencedora. Para se chegar a um resultado de excelência, é preciso acreditar, e nossas equipes já acreditam que podem crescer mais. Hoje, é possível perceber o brilho nos olhos de nossos atletas. O Brasil não entra mais em campo para cumprir tabela e sim para vencer seus adversários. E, a cada ano, esse rendimento melhorará com o amadurecimento dos atletas mais velhos e a chegada das novas gerações.
 
Neste ano a seleção feminina sagrou-se octacampeã sul-americana de sevens e tivemos uma atleta ganhando o Prêmio Brasil Olímpico oferecido pelo COB. Além disso, um grande passo para o desenvolvimento do rugby feminino foi dado com a realização do Super Sevens. Com esse momento positivo, como é possível atrair ainda mais mulheres para o rugby? 
 
O rugby feminino vem crescendo exponencialmente no País. A CBRu está fazendo sua parte ao criar uma competição nacional da modalidade, mas é fundamental que Federações e clubes igualmente destinem tempo e recursos para competições locais. É necessário jogar partidas e torneios semanalmente. Somente com uma carga substancial de repetição nosso rugby evoluirá. A organização de torneios de âmbito nacional auxilia a dar ainda mais visibilidade ao esporte. Quanto mais jogos ocorrerem nas cidades, mais se falará de rugby e mais meninas se interessarão pela modalidade.
 
Além da Copa Cultura Inglesa, que ganhou duas versões (Inverno para a modalidade de XV e Verão para a modalidade de sevens), o que mais pode ajudar no crescimento da nova geração do rugby nacional?
 
O rugby de base é fundamental. A prática do TAG-Rugby é o início da carreira de um rugbier, onde se aprende os principais fundamentos do esporte sem contato físico. Dessa forma, a CBRu está trabalhando junto com as prefeituras (escolas públicas), ONGs e clubes para inserir essa variação nas escolas, que podem ser um grande nicho de crescimento do esporte. Além disso, a parceria com o Sindiclubes também será uma importante ferramenta para promoção do rugby em crianças e jovens que frequentam os clubes sociais de São Paulo. 
 
Estamos buscando um patrocinador que se interesse exclusivamente pelas categorias de base. Necessitamos que alguém acredite na CBRu e no futuro dos atletas. Pensamos em custear as seleções estaduais para garotos(as) entre 15 e 19 anos de idade, acompanhando-os até as seleções principais. É um modelo apropriado que funciona com êxito no vôlei brasileiro. Ademais, os melhores garotos(as) poderão excursionar anualmente para partidas internacionais na Argentina e no Uruguai, além de eventualmente chegarem ao sonho da Nova Zelândia. Vale ressaltar que o rugby é um importante instrumento de inclusão social e um esporte com valores fortes, como disciplina, respeito, companheirismo e lealdade, que contribuem para o desenvolvimento pessoal. Por isso, é preciso valorizar esses atributos e assim conscientizar escolas e clubes de que essa modalidade ajuda a formar não só atletas, mas cidadãos. 
 
Atualmente a CBRu é a Confederação com mais patrocínios, desconsiderando futebol. O que fazer para ampliar e fidelizar ainda mais esse número? 
 
Governança, transparência, resultado e profissionalismo. Esses são alguns dos elementos fundamentais para conquistar patrocinadores. A qualidade dos campeonatos aumenta à medida em que se ampliam os horizontes do esporte, em que se populariza a modalidade, em que se contrata mais e melhores técnicos, árbitros, auxiliares. O esporte, em si, tem um potencial enorme de atratividade ainda a desenvolver. Seja pela postura de equipes, árbitros e torcida, seja pela plasticidade dos jogos, o rugby tem espaço para trazer mais patrocinadores e mais e mais manter os atuais.
 
Dentro do planejamento para este ano, as metas foram atingidas ou foi acima do esperado?
 
Em média, acredito que ultrapassamos nossas expectativas. Sempre há um sentimento de frustação pois, se tivéssemos todos recursos necessários, faríamos muito mais pelos clubes e pelos atletas. Fizemos o melhor com os recursos disponibilizados pelo Ministério do Esporte, Comitê Olímpico, patrocinadores e incentivadores. Mas é possível fazer muito mais. Não se trata de um sonho, mas sim de um objetivo plenamente viável. Os próximos quatro anos serão fundamentais para a CBRu. Há vários objetivos de médio prazo que seremos forçados a atingir em curto prazo. Estamos acostumados a sofrer e trabalhar sob pressão e, para atingirmos essas metas, não será diferente. Suaremos a camisa, jogaremos com garra e tentaremos melhorar ainda mais as atuais condições das competições e principalmente dos atletas das seleções brasileiras.
 
Quais são as metas para 2013? 
 
Temos um plano de negócios bem definido para o período 2013-2016, passando por 2019, 2023 e chegando ao ápice em 2030. Infelizmente, eu deixarei a CBRu em 2016, mas espero criar e motivar várias pessoas qualificadas e motivadas para dar sequência a esse lindo trabalho. Em 2013, tentaremos financiar todas competições nacionais através de captação de recursos via Lei de Incentivo ao Esporte (Federal e Estadual/SP). Com o trabalho do Crusaders/CRFU, teremos 3 grandes desafios no primeiro semestre: 
 
(i) Campeonato Sul-Americano de Sevens, que pode garantir a classificação das seleções masculina e feminina para a Copa do Mundo que será disputada na Rússia em Junho; 
(ii) a seleção masculina de XV terá o desafio de vencer Uruguai e Chile (como visitante em ambas partidas) e, com isso, assumir o segundo lugar no continente, e continuar a caminhada rumo a Copa do Mundo de 2015 na Inglaterra; e 
(iii) elevar nossa seleção masculina M19 ao grupo de elite da zona sul-americana, vencendo o Paraguai (jogando como visitante em Assunção) em junho. 
 
Ademais, queremos encontrar um mecanismo para iniciar o processo de profissionalização dos atletas das seleções masculina e feminina de rugby sevens. Para alcançar melhores resultados, é necessário passar do amadorismo para o profissionalismo.
 
Quais cidades e estados do País devem ter mais ações de rugby em 2013? 
 
As Federações Estaduais das regiões sul e sudeste têm seus planos e projetos estruturados, e a CBRu os apóia sempre que atendidos determinados critérios. O crescimento do esporte é constante, atuamos onde há espaço e potencial. Torcemos pelo desenvolvimento das regiões centro-oeste, norte e nordeste, aonde há potencial de atletas para torneios locais, estaduais e até para as seleções brasileiras. Para receber ajuda da CBRu, as pessoas devem estar muito bem organizadas e possuir um projeto de desenvolvimento da modalidade em suas respectivas regiões. Bater na porta da CBRu para simplesmente pedir ajuda de nada adiantará. Todos devem sacrificar-se e trabalhar exaustivamente pelo crescimento do esporte. Foi assim que o rugby cresceu em vários Estados e continua crescendo.
 
Terá início em 2013 o plano de alto rendimento para árbitros. Qual a importância disso para o desenvolvimento do esporte no país? 
 
A arbitragem brasileira é uma área estratégica da CBRu. Foi muito bem coordenada por Xavier Vouga e recentemente elevamos o patamar dessa área com a contratação de Marcelo Toscano, ex-gestor de arbitragem da Federação Argentina. Temos que aumentar a quantidade de árbitros brasileiros, porém, é absolutamente fundamental que esse aumento de quantidade esteja aliado a qualidade. Rugby é um esporte de contato físico orquestrado pelos árbitros. São eles os guardiões da segurança dos atletas, e à quem a comunidade deve respeitar. Esperamos que o programa de arbitragem gere muitos frutos e ajude a fortalecer nossos clubes e seleções.
 
Haverá mais intercâmbios para a Nova Zelândia ou outros países? 
 
O plano de trabalho da equipe técnica do Crusaders/CRFU-CBRu prevê mais intercâmbios, tanto com a Nova Zelândia, quanto para outros países do mundo nos quais pretendemos disputar competições internacionais. Nossas seleções nacionais continuarão visitando a Nova Zelândia para sessões intensivas de treinamentos e jogos amistosos e, a partir de 2013, o Brasil será visitado por seleções nacionais da América do Norte, Europa e Oceania. Divulgaremos o calendário de eventos brevemente, mas podemos afirmar que estamos elevando substancialmente a agenda de compromissos do Brasil.

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