Equipe brasileira de boxe busca lugar no pódio depois de 44 anos

Éverton Lopes - Foto: Washington Alves/AGIF/COBÉverton Lopes - Foto: Washington Alves/AGIF/COB 

Londres- Quebrar um jejum de medalhas que já dura 44 anos é um sonho real que o boxe brasileiro trouxe na bagagem para Londres 2012. Composta por um número recorde de dez atletas e encabeçada pelo campeão mundial Éverton Lopes, a delegação chega aos Jogos Olímpicos com credenciais suficientes para entrar na briga pelo segundo pódio da história do país na competição, que pela primeira vez terá também mulheres no ringue. A caminhada começa neste sábado, 28 de julho, quando o peso galo Robenilson Vieira (até 56 Kg) e o médio Esquiva Falcão (até 75 Kg) abrem a participação do Brasil na ExCel Arena, palco da disputa por medalhas até o dia 12 de agosto.

 

Melhor resultado do Brasil até hoje, o bronze conquistado por Servílio de Oliveira na Cidade do México 1968 nunca teve tantas chances de ser igualado, ou mesmo ultrapassado, como em Londres 2012. Entre os dez integrantes da equipe, pelo menos um deles é apontado como franco favorito: o meio-médio ligeiro (até 64 Kg) Éverton Lopes, que colocou seu nome no mapa do boxe internacional em grande estilo ao conquistar o primeiro ouro do Brasil em um Campeonato Mundial da modalidade, em Baku, no Azerbaijão, no ano passado, e tem ainda no currículo a medalha de bronze nos Jogos Pan-americanos Guadalajara 2011.
 
Último dos homens da equipe brasileira a entrar em ação, com estreia marcada para a próxima terça-feira, 31 de julho, o pugilista rejeita a todo custo o título de favorito. E usa a própria história para explicar por que não leva a sério a condição em que tem sido colocado. “Aqui, não existe rival bom ou ruim, todos têm as mesmas chances e os mesmos objetivos. Em 2011, eu não era nada e fui campeão mundial”, lembra. “Não existe fácil ou difícil, basta você ter cabeça e querer muito alguma coisa. Estou treinando forte, tenho uma meta e vou dar o meu máximo no ringue. Essa combinação é que pode me dar uma medalha, é isso que faz de alguém candidato a alguma coisa”.
 
Antes da estreia do mais cotado de seus representantes, o Brasil terá levado ao ringue outros fortes candidatos a lugares no pódio em Londres 2012. Esquiva Falcão e Robenilson Vieira abrem o caminho no sábado, 28 de julho, e, no domingo, será a vez de o meio-médio Myke Carvalho (até 69 Kg) e o leve Róbson Conceição (até 60 Kg) entrarem em ação.. Na segunda-feira, o mosca Julião Neto (até 52 Kg) e o meio-pesado Yamaguchi Falcão (até 81 Kg) fazem suas primeiras lutas na competição. Todos precisarão fazer outras três lutas se quiserem deixar Londres com uma medalha no peito - as semifinais do masculino serão realizadas no dia 10 e as finais acontecem nos dias 11 (galo, médio e meio-médio ligeiro) e 12 de agosto (mosca, leve, meio-médio e meio-pesado).
 
Quando os homens estiverem entrando na reta final de sua caminhada, o ringue olímpico ganhará um inédito toque feminino. Pela primeira vez, estará em disputa a categoria feminina, contando com três brasileiras na briga por medalhas. Aos 31 anos, Adriana Araújo, quinta do ranking mundial, figura entre as mais fortes candidatas a uma vaga no pódio na categoria leve (até 60 Kg), mas a peso mosca Erica Matos (até 51 Kg) e a revelação Roseli Feitosa, no peso médio (até 75 Kg), correm por fora em busca dos primeiros lugares no olimpo.
 
“Não fizemos uma projeção de medalhas. É claro que pelo que conhecemos dos atletas, temos uma expectativa, sabemos o que cada um pode fazer, mas em um combate o resultado depende de muitos fatores, do adversário, do dia, da cabeça do lutador. A competição está muito forte, temos campeões mundiais no masculino e no feminino, não tem como fazer previsões. O que podíamos fazer era treinar muito, trabalhar duro, o resto é consequência”, resume Otílio Toledo, chefe de equipe do boxe brasileiro. “Todos estão 100% focados no evento e isso é o mais importante. Aqui não existe favorito, não tem diferença entre um e outro, todos sentem exatamente a mesma pressão, que é representar o Brasil e o esporte. O boxe evoluiu muito desde Atenas 2004, temos mais lutadores do que em Pequim 2008 e esse crescimento ainda vai aumentar. Estamos no caminho certo”.
 
Adriana, Erica e Roseli só entram em ação no domingo, 5 de agosto, e caso vençam voltam a lutar na segunda-feira. Se garantirem vaga nas semifinais, retornam ao ringue no dia 8 e, caso carimbem passaporte para a sonhada final olímpica, disputarão a medalha de ouro no dia 9.