Isolamento e adiamento de Tóquio demandam novo planejamento para atletas

Isadora Cerullo, da Seleção Brasileira de Sevens  / Foto: World RugbyIsadora Cerullo, da Seleção Brasileira de Sevens / Foto: World Rugby

São Paulo - Para debater a rotina dos atletas nesta fase de isolamento social por tempo indeterminado e a adaptação dos treinos da Seleção Brasileira Feminina de Sevens para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, a Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) promoveu um bate-papo ao vivo, em suas redes sociais, com a participação de Aristide Guerriero, coordenador de Preparação Física da CBRu, e Raquel Kochhann, capitã das Yaras, como são conhecidas as jogadoras da Seleção. 
 
Ao longo de uma hora, Aristide e Raquel esclareceram dúvidas e compartilharam como está sendo a organização dos treinos no período de quarentena, já que todos os atletas do Alto Rendimento da CBRu estão treinando em casa desde 16 de março.
 
Um dos assuntos abordados foi o desafio de se manter em forma em ambientes confinados. O ganho de peso, por menor que seja, é provável, afinal é difícil ter o mesmo gasto calórico em espaços restritos e monitorar todos os jogadores detalhadamente à distância, segundo o coordenador. “O mais importante agora é ter um equilíbrio mental e fazer exercícios seguros. Fizemos um cronograma diário viável para todos os atletas e usamos os fins de semana para recuperação. Por ser uma situação extrema que pode ir até julho, precisamos evitar lesões e estresse”, explica. “Tratando-se de atletas olímpicos, uma certa vantagem é que agora teremos um ano e quatro meses até os Jogos de Tóquio, então vamos planejar esse novo tempo para o preparo das atletas”, completa. Lembrando que a Seleção Feminina já está classificada e a Masculina ainda disputará uma vaga em um torneio de repescagem, com data a ser definida.
 
Ciente da gravidade da pandemia, Aristide esclareceu uma dúvida recorrente no mundo esportivo, sobre quando um atleta atingido pelo Covid-19 pode retomar a rotina de treinos. “A situação é nova e tudo depende dos sintomas. Como não há estudos conclusivos sobre como preparar atletas que se recuperam da doença, o mais prudente é aguardar 45 dias até que os treinos possam ser restabelecidos”, adverte. 
 
Confinada em uma casa com mais quatro jogadoras da Seleção, Raquel diz que todas estão empenhadas em manter a intensidade dos treinos que vinham fazendo anteriormente, no Núcleo de Alto Rendimento (NAR), na cidade de São Paulo. “Estamos seguindo a mesma rotina de horário, alimentação e adaptando a maioria dos movimentos”, conta a atleta, que é formada em Educação Física.
 
O roteiro inclui exercícios simulados de fortalecimento, potência, estabilização, agilidade, corrida e condicionamento com habilidades técnicas do rugby, tais como passes, giro de corpo, adaptação de tackle (derrubada do oponente com a posse de bola), encaixe de quadril, apresentação e coordenação com a bola.
 
As Yaras também reservam tempo para analisar vídeos de jogos e movimentação tática. E todas participam de sessões online de pilates e fisioterapia. “Reservamos os momentos de lazer para relaxar porque os treinos têm sido bem exaustivos. Mas sempre damos um jeito de seguir as adversárias nas redes e conferir o que elas estão fazendo”, conta Raquel, para quem o confinamento deve ser encarado como uma oportunidade de aprimorar ou manter o que for possível da vida profissional e pessoal. 
 
A próxima Live no Instagram da CBRu (@brasilrugby) ocorrerá nesta quinta-feira (2), às 14h30, e trará dicas de alimentação para atletas e não atletas, com a participação da nutricionista da CBRu, Aline Tritto, e a jogadora da Seleção Feminina de Rugby 7s, Isadora Cerullo.
 
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