Martine Grael e Kahena Kunze serão as porta-bandeiras do Time Brasil em Lima

Martine Grael e Kahena Kunze serão as porta-bandeiras do Time Brasil em Lima / Foto: Wander Roberto/COBMartine Grael e Kahena Kunze serão as porta-bandeiras do Time Brasil em Lima / Foto: Wander Roberto/COB

Lima - Um dia para entrar para a História do esporte brasileiro. O Comitê Olímpico do Brasil (COB) anunciou nesta quinta-feira, dia 25, as porta-bandeiras da delegação brasileira nos Jogos Pan-americanos Lima 2019. 
 
Pela primeira vez, uma mulher vai levar o símbolo nacional em uma abertura de Pan. Uma não, duas! As velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze, campeãs olímpicas na Rio 2016 e atuais número 1 do mundo da classe 49er FX, serão as responsáveis por carregar o pavilhão do Brasil na Cerimônia de Abertura, nesta sexta-feira, às 20h (horário de Brasília), no Estádio Nacional de Lima.
 
"Em uma delegação com a maior proporção de mulheres em Jogos Pan-americanos, nós decidimos inovar", disse Marco Antônio La Porta, e chefe da missão brasileira. "Sem deixar de manter a tradição de privilegiar o respeito, a excelência e a meritocracia, já que Martine e Kahena são as atuais campeãs olímpicas e irão representar muito bem o país na abertura dos Jogos. Para a gente, é motivo de muito orgulho ter duas mulheres com a bandeira brasileira. A gente se sente muito bem representado tendo a Martine e a Kahena à frente da delegação", completou La Porta.
 
As duas chegaram ao Peru nesta quinta, após uma temporada de treinamento no Japão. E foram surpreendidas com o anúncio. "Uma emoção enorme receber a bandeira do Brasil e representar todos os atletas no desfile. A gente não estava esperando essa notícia. É um reconhecimento ao nosso esforço e ao nosso esporte", disse Martine, filha do bicampeão olímpico Torben Grael, que foi o porta-bandeira da delegação brasileira nos Jogos Pan-americanos Mar Del Plata 1995. "Inédito duas pessoas carregando a bandeira do Brasil, ainda mais duas mulheres. Isso é muito gratificante para nós. Queremos levar cada vez mais as mulheres a praticar esportes", disse Martine.
 
"Chegamos hoje do Japão e soubemos há pouco. Ainda estamos em choque", disse Kahena, que tem o nome de uma mitológica guerreira tribal invencível dos Montes Urais, assunto de um livro que a mãe leu e decidiu homenagear após uma gravidez difícil. "Nós duas representamos a união e a equipe que faz a diferença. Somos duas no barco, não faria sentido ser uma de nós apenas. Ainda não sei como vai ser, como vamos fazer, se vamos usar uma bandeira ou duas, mas estamos muito felizes e honradas", afirmou Kahena.
 
Martine e Kahena praticamente nasceram velejando e são descendentes de uma linhagem de campeões. Martine Soffiatti Grael, niteroiense de 28 anos, começou no esporte aos quatro anos de idade pelo Rio Yacht Club. Já Kahena Kunze, paulista de 28 anos, é filha de Claudio Kunze, campeão mundial júnior da classe Pinguim em 1973, começou na vela na Represa de Guarapiranga, em São Paulo, antes da família se mudar para o Rio de Janeiro, quando ela tinha dez anos.
 
As duas se conheceram ainda adolescentes, aos 13 anos, quando competiam na classe Optimist, se tornando adversárias nas águas e amigas fora dela. Quando decidiram mudar de embarcação, se uniram como timoneira e proeira, já em 2009. Apenas cinco anos depois de se conhecerem, já eram campeãs mundiais júnior na classe 420.
 
Depois de um breve distanciamento, quando Martine buscou a classificação para Londres 2012 com Isabel Swan, as duas conquistaram o Mundial de 49er FX em Santander em 2014, ano em que receberam do COB o prêmio de Atleta do Ano durante o Prêmio Brasil Olímpico. Em Mundiais da classe, as duas ainda possuem duas pratas, em Marselha 2013 e Buenos Aires 2015.
 
A primeira e única vez que Martine e Kahena disputaram Jogos Pan-americanos foi na última edição, em Toronto, e elas ficaram com a prata, atrás das argentinas María Branz e Victoria Travascio. O aprendizado do Pan se refletiu nos Jogos Olímpicos Rio 2016, quando conquistaram o ouro com uma vantagem de apenas 2 segundos para as segundas colocadas da Nova Zelândia.
 
No Mundial de 2017, na cidade do Porto, as brasileiras foram novamente vice-campeãs, atrás das dinamarquesas Jena Mai Hansen e Katja Salskov-Iversen. As duas se afastaram para que Martine pudesse disputar a Volvo Ocean Race, corrida de barcos que dá volta ao mundo, durante um ano. No retorno, garantiram a classificação do Brasil para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 na classe 49er FX ao terminarem o Mundial da Dinamarca em 2018 na quarta colocação, em uma das poucas competições em que não chegaram ao pódio na história da dupla. A recuperação veio pouco mais de um mês depois com o ouro no evento-teste da vela em Enoshima, no Japão, mesmas águas em que serão disputados os Jogos Olímpicos.
 
A competição de vela nos Jogos Pan-americanos Lima 2019 começa no dia 03 de agosto. Depois da disputa, a dupla volta para o Japão para mais um período de treinamentos e competições em Enoshima.
 
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