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Solera e Abel dão show em live sobre Antidoping

Solera e Abel dão show de informação em live sobre Antidoping /  Foto: Divulgação/CBG

São Paulo - De um lado, Abel Neto, um jornalista cheio de curiosidade, como qualquer bom repórter deve ser sempre. Do outro, um dos mais renomados especialistas em antidoping do mundo, Fernando Antônio Gaya Solera, que tem atuação na área que remonta a 1982. Conectados por meio de uma live do Instagram, os dois conseguiram o que parecia impossível: tornar interessante um dos temas mais áridos entre aqueles relacionados ao esporte. Foi dessa forma, em altíssimo nível, que transcorreu o segundo programa da série de lives “Ginástica Segura e Saudável”.
 
A missão da dupla era esmiuçar o Guia Antidoping do (a) Atleta de Ginástica, lançado pela Confederação Brasileira de Ginástica na última quinta-feira (24). A ação integra o Programa de Ética e Integridade da CBG. O guia leva a assinatura de Solera e do Consultor Jurídico da Confederação, Paulo Schmitt, uma das maiores autoridades em Direito Desportivo do Brasil. “O Guia ficou bonito e está cheio de informações e dados pertinentes à dopagem e ao controle antidoping. Nossa finalidade era criar uma publicação que ficasse visualmente atraente e com linguagem de fácil compreensão”, disse o Presidente da Organização Antidoping da CBG.
 
Solera explicou como funcionam os exames fora de competição, dando detalhes interessantes. “Cabe lembrar que os atletas são atletas 365 dias por ano. Não pode existir aquele pensamento ‘vou usar uma substância proibida porque não vou competir’. Isso não existe. Os atletas podem receber a visita de um oficial de controle de doping durante as férias, em meio a um treino ou numa competição sem previsão de controle antidoping. A Federação Internacional pode ainda ir atrás de um atleta desconhecido que esteja despontando”.
 
Indagado por Abel, Solera explicou que as regras dos exames fora de competição têm uma certa maleabilidade. A ABCD, Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (que, aliás, é presidida pela ex-ginasta Luisa Parente), que funciona como braço da AMA (Agência Mundial Antidoping ou WADA, na sigla em inglês) no Brasil, disponibiliza a um limitado número de atletas de elite login e senha do sistema ADAMS (Anti-Doping Administration & Management System), e cada um desses atletas tem a obrigação de lá inserir os seus whereabouts (os paradeiros) por trimestre até as 24 horas do dia 20 do mês anterior – das 6h até as 23h. “Em 12 meses, o atleta pode furar (não ser encontrado nos lugares em que relatara que estaria) por três. Na quarta, comete uma infração”, explicou Solera.
 
O médico explicou ainda os procedimentos que envolvem a coleta de urina para exames. “O DCO (doping control officer ou oficial de controle de dopagem) deve necessariamente ver a urina saindo do corpo do atleta, que tem que estar com o calção abaixado e com a camiseta erguida. Não pode ser diferente!”.
 
Ouvir Solera é ter acesso a uma testemunha que acompanhou toda a história do controle antidopagem do país. “Ao longo dos meus 38 anos de trabalho no controle, em apenas uma ocasião, em Batatais (SP), um atleta tentou fraudar a coleta utilizando um saquinho plástico com urina, que caiu no chão”.
 
Segundo Solera, um oficial de controle de dopagem vai abordar o atleta, munido de uma credencial. Ele vai se identificar e dizer que coletará o material para a realização do exame. Pedirá que o atleta o acompanhe até a Estação Antidoping. O atleta também terá que apresentar um documento de identidade com foto – e essa regra é válida para todos. “Um amigo que trabalhou no controle durante a Copa do Mundo de 2014 num determinado jogo abordou o Messi. Ele estranhou – ‘sou o Messi, todo mundo me conhece’. Mas esse é um momento protocolar”.
 
O atleta pode dar uma entrevista curta (não uma coletiva) e está autorizado a receber sua medalha ou troféu. Durante o trajeto rumo à Estação Antidoping, o escolta não permitirá que ninguém entregue qualquer tipo de bebida ao atleta.
 
Após passar todo um vasto conteúdo de informações, Solera estimulou os atletas a lerem sobre sustâncias proibidas, a indagar. “Digo aos atletas para que sejam curiosos. Veja, minha esposa é gestante. Hoje ela conversa com o obstetra no mesmo nível. Isso porque ela foi ler sobre gestação, é do interesse dela. Quero que o ginasta se sinta provocado, que se desperte nele o interesse pelo tema. Quando tiver uma dúvida, que pegue o telefone e ligue para mim. O Whatsapp tornou tudo mais fácil. Se o médico receitar determinado fármaco, pergunte a ele se tem conhecimento da lista de substâncias proibidas pela WADA. Se não conhecer, peça um tempo para conversar com o médico da Confederação. Estou aqui para isso também”.
 
Solera procurou deixar bem claro que o atleta é sempre responsável por qualquer substância que seja encontrada em seu organismo. E chamou a atenção para dois assuntos: medicamentos elaborados em farmácias de manipulação e suprimentos.
“Embora Brasil e Espanha sejam os países que melhor fazem medicamentos em manipulação, evite utilizá-los”.
 
Quanto aos suprimentos, é importante que os atletas adotem uma série de cuidados. “A indústria que fabrica suplementos não sofre a mesma fiscalização que a indústria que produz fármacos. A Confederação não proíbe que os médicos receitem suplementos. Se tiverem receitado, o atleta terá que comprar duas embalagens do mesmo lote. Vai ficar caro? Vai, mas é fundamental que seja assim. É necessário pedir nota fiscal em seu nome, e na nota fiscal deve constar também o número do lote. É necessário comprar em loja física. Guarde a outra embalagem de mesmo lote lacrada. É dessa forma que você conseguirá juridicamente se defender caso apareça um resultado positivo devido à utilização de suplemento”.
 
No final da live, Solera fez mais uma solicitação aos ginastas. “Convido todos os atletas a pega o guia, a ler e a tentar entender. Em caso de qualquer tipo de dúvida, quero que faça, contato, me procure. Todos – repito: todos – podem me procurar, desde o medalhista olímpico até o atleta de 14 anos de uma cidade distante”.
 
O médico informou que os casos positivos de doping da Ginástica correspondem a menos de 0,5% do total, englobadas todas as modalidades. “Nossa meta é termos 0,0%”.
 
 
 
 

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