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Yane Marques terá preparação seletiva para chegar bem aos Jogos

Em 2015, Yane Marques conquistou o ouro no Pan e o bronze no Mundial da modalidade / Foto: Danilo Borges/Brasil 2016.gov.brEm 2015, Yane Marques conquistou o ouro no Pan e o bronze no Mundial da modalidade / Foto: Danilo Borges/Brasil 2016.gov.br

Rio de Janeiro - Vem de Afogados da Ingazeira, uma cidade de pouco mais de 36 mil habitantes no sertão pernambucano, a única mulher do Hemisfério Sul dona de uma medalha olímpica na história do pentatlo moderno. Antes do bronze de Yane Marques em Londres-2012, apenas atletas da Europa, dos Estados Unidos, da China e do Cazaquistão haviam subido ao pódio na categoria feminina da modalidade em Jogos Olímpicos.
 
Após ter colocado o Brasil no mapa de um esporte desconhecido no país, Yane quer ir além. Aos 32 anos, pretende chegar aos Jogos Rio 2016, em agosto, com a melhor base de preparação de sua carreira. “A meta é chegar convicta de que aquele dia é o dia em que eu estou no auge da forma física. E fazer na prova o que estiver fazendo no treino, que eu espero que seja bom, e que isso nos dê bons resultados”, projeta a atleta.
 
A vaga olímpica foi conquistada por antecipação. “Minha primeira chance foi o Mundial (disputado em julho de 2015, em Berlim, na Alemanha) e com o bronze eu me classifiquei para as Olimpíadas. Depois confirmei isso nos Jogos Pan-Americanos (Toronto 2015), com o ouro”, conta a pernambucana, única brasileira da modalidade com lugar confirmado nos Jogos.
 
Com a primeira missão já cumprida, Yane pode planejar melhor a preparação. “Eu tenho normalmente quatro etapas da Copa do Mundo, depois a final da Copa do Mundo, Campeonato Mundial... Na condição de classificada, a gente seleciona as provas para participar, outras para não participar, umas para testar, outras para confirmar. Esse é o conforto de ter conseguido a classificação precocemente”, explica a pentatleta.
 
Tranquilidade, frisa ela, não quer dizer acomodação. “Não vale a pena ficar preparando só para as Olimpíadas durante quase oito meses sem competir. Todas as provas vão servir de teste, de confirmação de coisas e para a gente ir avaliando e entendendo se a coisa está indo no caminho certo”, conta.
 
Disputa por vaga
 
O Brasil, por ser sede, tem duas vagas garantidas nas Olimpíadas: uma no masculino e outra no feminino. Além disso, o país pode ter mais um competidor em cada categoria, caso o atleta consiga a classificação pelos critérios da União Internacional de Pentatlo Moderno (UIPM). No Rio, serão 72 atletas, 36 homens e 36 mulheres, com o limite de dois de cada país por gênero.
 
O Mundial de 2016, entre os dias 17 e 23 de maio, em Moscou, na Rússia, será responsável por definir outras seis vagas. Os demais nomes que vão competir nos Jogos Olímpicos virão do ranking mundial da modalidade, a partir de 1º de junho. Na última atualização, o Brasil tinha Priscila Oliveira na 59ª posição e Larissa Lellys no 71º lugar. No masculino, as melhores colocações são de Danilo Fagundes (128º) e William Muinhos (131º).
 
“Para uma segunda vaga no feminino, teremos a necessidade de outra atleta se posicionar bem ou entrar pelo ranking. No masculino estamos participando de todas as competições internacionais que contam pontos, mas a disputa é acirrada, porque temos nas Américas atletas de altíssimo nível”, explica o presidente da Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno (CBPM), Helio Meirelles.
 
Evento-teste
 
Antes do Mundial, o pentatlo moderno terá seu evento-teste em Deodoro, de 10 a 14 de março. A competição utilizará as instalações olímpicas do Estádio de Deodoro (hipismo e combinado de tiro e corrida), do Centro Aquático de Deodoro (natação) e da Arena da Juventude (esgrima). “Há uma promessa de termos as instalações 98% prontas”, diz Helio Meirelles. “É no mesmo lugar onde ocorreram o Pan de 2007 e os Jogos Mundiais Militares em 2011, então são instalações familiares. Algumas mudanças vão acontecer, mas tenho certeza de que vai ficar bonito, organizado e em condições de nos receber muito bem”, diz Yane.
 
O presidente da CBPM vê uma possível vantagem no fato de os Jogos Rio 2016 serem no Brasil. “Um ponto importante são os cavalos. O cavalo é sorteado, quem oferece são os organizadores. O atleta tem 20 minutos para aquecer e se adaptar. Então o interessante é que há uma possibilidade grande de os cavalos do evento-teste serem os mesmos dos Jogos Olímpicos. Não sei se eles ficariam entre março e agosto lá em Deodoro disponíveis para os atletas treinarem, mas ainda assim seria uma vantagem”, opina Meirelles.
 
Mesmo assim, o dirigente prefere não definir uma meta em termos de resultado. “O pentatlo é complexo e sujeito a surpresas. Em 2012, os especialistas identificavam que a Yane ficaria entre as 10 primeiras, mas ela no dia reuniu toda a capacidade de concentração, sua experiência e acabou conseguindo o bronze. O resultado é muito ligado à questão de o atleta estar no seu dia Eu diria que a Yane está mais preparada hoje, mesmo com quatro anos a mais de idade, do que em 2012. Houve um aprimoramento, mas isso não é garantia de medalha. No caso do masculino, temos um caminho longo a percorrer para estarmos entre os 10 melhores do mundo, mas podemos surpreender”, garante.
 
Para Yane Marques, independentemente dos resultados, um dos principais legados dos Jogos Olímpicos será a exposição da modalidade no Brasil. “A Olimpíada é uma boa vitrine e, aqui no Brasil, que tem um material humano ímpar, é um momento que a gente tem que aproveitar para estimular o pessoal. Temos que utilizar a Olimpíada como um convite para que as pessoas se interessem e para que as crianças possam viver do esporte, independentemente de serem medalhistas olímpicos ou campeões. O esporte como ferramenta de educação é poderoso, então a gente precisa disso”, acredita.
 
Investimentos
 
Entre 2010 e 2013, convênios firmados com a Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno resultaram em mais de R$ 11, 7 milhões aplicados no esporte, destinados à realização de competições, compra de equipamentos e contratação de equipe multidisciplinar. Em 2014, a modalidade recebeu, ainda, R$ 1,7 milhão da Lei Agnelo/Piva. O pentatlo moderno conta com 32 atletas contemplados com a Bolsa-Atleta, além de Yane Marques, que recebe a Bolsa Pódio. O investimento anual é de R$ 651 mil.
 
O presidente da CBPM adianta que uma proposta para novo convênio está sendo preparada. “Temos o centro de treinamento, o Ministério do Esporte aprovou um convênio para nós e foram dois anos em que pudemos treinar atletas lá e tivemos equipe multidisciplinar. Como sobrou dinheiro na conta, apresentamos proposta de mais prazo, foi aprovada e agora estamos preparando o conteúdo. A proposta é a partir de março reconstituir a equipe multidisciplinar e aproveitar o treinamento para os Jogos Olímpicos”, conta.
 
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