Evento-teste do polo embala sonho de garotos e Estádio Aquático recebe elogios

Evento-teste de polo aquático no Estádio Olímpico de Esportes Aquáticos / Foto: Gabriel Heusi/Brasil2016.gov.brEvento-teste de polo aquático no Estádio Olímpico de Esportes Aquáticos / Foto: Gabriel Heusi/Brasil2016.gov.br

Rio de Janeiro - Semifinais de um torneio de pólo aquático no Estádio Olímpico de Esportes Aquáticos, na Barra da Tijuca, na noite da quinta-feira (28.04), e o locutor anuncia a execução dos hinos do Japão e da Croácia. Os garotos enfileirados na beira da piscina, no entanto, são todos brasileiros.
 
A cena, que poderia parecer estranha, na verdade é parte do evento-teste da modalidade. Quatro times de juniores do Rio de Janeiro foram convocados: Botafogo, Flamengo, Tijuca e Escola Naval. Desde segunda-feira, eles ajudam o Comitê Rio 2016 a testar a instalação e as especificações olímpicas para a modalidade.
 
No total, 32 áreas funcionais estão em operação, sendo 16 nos moldes dos Jogos Olímpicos: competição esportiva, transporte, limpeza e lixo, apresentação esportiva, gerenciamento operacional de instalações, segurança, resultados, serviço de alimentação, desenvolvimento de legado, comunicação, força de trabalho, logística, serviços médicos, operações de imprensa, energia e tecnologia.
 
Nesta sexta-feira (29.04), o evento-teste será encerrado, com a disputa do terceiro lugar e a final, seguidas de uma cerimônia de entrega de medalhas. Mas, mesmo antes do fim do torneio, o balanço das operações realizadas é considerado positivo pelo Comitê Rio 2016. “O Estádio Aquático foi bastante testado, especialmente a área de competição, de aquecimento, a parte de resultado, que é muito importante para a gente, mas em especial as equipes que trabalharam, na natação, natação paralímpica, e agora no polo aquático. Então a gente está muito satisfeito. Entendemos que em algumas áreas é possível melhorar, mas agora a gente conhece mais a instalação e acredita que vai estar super pronta para agosto”, afirmou o gerente de Esportes Aquáticos do Comitê Rio 2016, Ricardo Prado.
 
Medalhista olímpico – ele foi prata nos 400m medley nos Jogos de Los Angeles-1984 –, Prado explicou que as operações do polo aquático não são muito diferentes da natação. “O polo utiliza mais vestiários, já que é uma modalidade coletiva, diferente da natação, mas é muita coisa similar: a área de competição, fora as raias e o gol, é praticamente a mesma; a parte de resultados é um pouco diferente, então a gente quis que a Omega (empresa responsável pelos placares) ficasse para esse evento também; mas muita coisa é igual, tanto que a gente faz a transição de um dia pra outro”, disse.
 
Técnico do Botafogo e auxiliar técnico da seleção brasileira adulta, Ângelo Coelho elogiou bastante a piscina e já vislumbrou as arquibancadas cheias durante a competição de polo nos Jogos Olímpicos. “A piscina é espetacular e o local está muito bom. A piscina é perfeita para o polo aquático, os vestiários estão muito bons, em termos de instalação a gente não tem preocupação. A organização está aprendendo algumas coisas, vendo algumas falhas, corrigindo detalhes, acho que até as Olimpíadas tem muito tempo para trabalhar e melhorar bastante”, opinou.
 
A preocupação de Ângelo é providenciar o encontro entre os atletas da Seleção Brasileira adulta de polo aquático e a piscina do Estádio Aquático. A primeira fase do torneio de polo nas Olimpíadas será disputada no Maria Lenk, mas a fase final será no Estádio Olímpico. A expectativa da comissão técnica da seleção é avançar para a etapa decisiva e competir diante de um Estádio Aquático lotado.     
 
“Isso aqui lotado vai ser espetacular. A partir da quinta rodada vem para cá e nossa expectativa é passar dessa fase. A gente tem um treinamento agora na Austrália, que é uma seleção que está no nosso grupo, depois estamos indo para o Japão, que também é adversário na primeira fase. Estamos com a expectativa de passar, sim. Depois que a gente ganhou da Croácia na Superfinal ano passado, a gente encara qualquer equipe. Esses próximos 90 dias vão ser de muito trabalho e acredito que podemos surpreender”, garantiu Coelho, referindo-se ao título conquistado pelo Brasil.
 
Na primeira fase do torneio olímpico masculino de polo, o Brasil vai enfrentar Austrália, Japão, Grécia, Hungria e Sérvia pelo Grupo A. Os quatro primeiros da chave avançam. Se estiver entre eles, o Brasil vai jogar no Estádio Olímpico. De acordo com Ricardo Prado, a Seleção poderá ter contato com as instalações do Estádio Aquático antes da fase decisiva do torneio. “Eu tenho certeza que daqui para frente a gente vai ter muitos pedidos de equipes do Brasil e de fora para vir aqui conhecer e utilizar a instalação. Vai dar trabalho para a gente, mas tenho certeza que especialmente para o Brasil a porta vai estar sempre aberta”, disse.
 
O torneio - Disputado desde segunda-feira, o torneio que serve como evento-teste para os Jogos Rio 2016 chegou às semifinais com os confrontos entre Flamengo e Escola Naval, que abriu as disputas desta quinta, e Botafogo contra Tijuca. No primeiro jogo, o Flamengo não teve dificuldades para fazer 11 x 1, avançando para a decisão. Depois, em partida muito equilibrada, o Botafogo venceu o Tijuca por 7 x 6.
 
Flamengo e Botafogo disputam a final do torneio nesta sexta, logo depois do jogo que vai definir o terceiro lugar, entre Tijuca e Escola Naval.  “Temos toda a rivalidade do mundo, porque eles estão ganhando tudo”, brincou Vitor Teixeira, jogador do Botafogo, mostrando que a rivalidade entre os clubes não fica restrita aos campos de futebol.
 
Na hora de elogiar as instalações do Estádio Aquático, no entanto, os garotos de todos os times são unânimes. “É uma experiência única jogar em um lugar como esse, numa grande estrutura”, vibrou Felipe Rocha, do Flamengo. “É um privilégio jogar nessa piscina maravilhosa, tudo de bom”, completou o botafoguense Vitor.
 
Aos 15 anos, Felipe sonha com o dia em que poderá defender a Seleção em uma Olimpíada. Competir na instalação que vai receber o polo em 2016 aumentou o desejo do garoto de um dia sentir a emoção olímpica como jogador. “Eu acho que é muito legal esse apoio que estão dando agora, porque no futuro vai deixar um legado. Os jogadores da seleção adulta estão treinando lá fora e quem sabe nas próximas Olimpíadas o Brasil possa ter um time forte competindo”, disse o garoto. Como torcedor, ele já tem data marcada para ver de perto uma partida dos Jogos Olímpicos. “Eu já comprei ingressos para o polo e quero vir para assistir e ajudar o Brasil.”
 
 
 

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